13/09/2013 às 19:09:42

Avivarte: inclusão pela dança

Espaço cultural promove o acesso à arte

Alunas no instituto durante workshop do Ballet Bolshoi no mês passado

por Ana Paula Oliveira

A Academia de dança AvivArte promove Festivais de dança com temas voltados para a luta contra as drogas e a promoção de cultura e arte. Os eventos trazem artistas, palestrantes e grupos de teatro de diversas companhias de dança, com grandes espetáculos. Ritmos como ballet, jazz, street dance, dança inclusiva e dança contemporânea são as principais atrações na academia. A dança inclusiva também é um dos destaques da instituição.  A academia foi inaugurada no Guará II, no ano passado.
Há quase 10 anos, quando vendia carros em uma das concessionárias de Brasília, Janaires Pires Lima, de 38 anos, a Jane, como costuma ser chamada, não imaginava que iria se apaixonar pela dança. Casada e mãe de dois filhos, depois de receber o diagnóstico de complicações na saúde, Jane foi obrigada a dedicar um pouco do seu tempo à prática de exercícios físicos. 
 Atuante no Ministério da Dança da igreja que frequenta, Jane apostou na arte para sua recuperação. Com fibromialgia, não demorou muito e a enfermidade que atingia a vendedora desapareceu, e com o passar dos anos, o seu amor pela dança ganhou maiores proporções. “O médico me disse que eu precisava ser feliz para me recuperar e na dança encontrei alegria e forças para  livrar-me da doença”, lembra.
 Não satisfeita em dançar apenas na igreja da qual é membro até hoje, Jane queria mais. “Convidei a equipe e os jovens que já me acompanhavam para levar o meu sonho à realização”, revela. “Começamos fazendo festivais de dança nas universidades e colégios para divulgar nosso trabalho”, diz. Para investir no seu sonho, Jane conta que vendeu jujuba na feira, semáforos e fez apresentações nas ruas.

 A concretização do sonho
 Hoje, o sonho da antiga vendedora de veículos, está concretizado. Há mais de um ano, a escola de dança Avivarte foi inaugurada em grande estilo. Em frente ao local, crianças e adolescentes participaram do evento com belas apresentações de ballet, baby class e hip hop. 
 É Jane quem cuida da administração da academia e organiza as apresentações dos alunos, pessoalmente. Para a idealizadora do projeto, a Avivarte não é só mais uma academia, e sim, uma escola de artes. “Futuramente teremos pilates, música e teatro, com provas práticas e orais, onde os alunos serão avaliados para aprovação e formatura”, afirma.
 Cláudia Lima Borges, 16 anos, estudante, é sobrinha de Jane e acompanha o trabalho da tia desde pequena. “Nós dançávamos vestidas com roupas de TNT e hoje temos este espaço amplo, uniformes e equipamentos. É uma grande conquista”, relata. 
 Lucas Gomes de Oliveira, 17 anos, estudante e funcionário da academia, conheceu Jane quando ela ainda procurava por um espaço ideal para a instalação da academia. “A Jane procurou lojas em outras cidades. Batalhou por isso com amor pela dança. Ter esta boa estrutura é um sonho realizado”, afirma.
 A academia oferece aulas de ballet, baby class, hip hop, dança contemporânea, dança de salão e, em breve, o pilates (método de controle muscular e alongamento) também vai poder ser praticado pelos alunos. Cadeirantes têm espaço garantido na escola de dança, que já tem dezenas de alunos matriculados e conta com professores e coreógrafos qualificados. 
 Com o envolvimento direto com a arte de dançar, a diretora entendeu que poderia ir além. Mais do que a arte da dança, a empresária implantou um diferencial em sua academia, a dança inclusiva para Pessoas com Deficiência Física – PNE e eventos direcionados a pessoas que tentam se livrar das drogas. “Acredito que a dança pode melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”, aposta. 
 Jane afirma ainda, que pretende trazer arte e cidadania aos jovens que não têm condições de pagar. “Queremos ajudar a comunidade. Jovens e crianças carentes também têm oportunidade de aprender a dançar e com isso ter uma ocupação”, sugere. Para ela, não existe idade para dançar, basta querer. “Pessoas de três até 100 anos podem ingressar”, revela a diretora artística, que também trabalha como agente cultural na Secretaria de Cultura do DF. 
 
aluna de Comunicação Social da faculdade Unicesp, orientada pela jornalista Ana Seidl